Em uma operação de suporte, a mesma dúvida pode chegar em tickets diferentes, receber respostas distintas de cada técnico ou fazer alguém procurar uma orientação em conversas antigas. Também é comum que integrantes da equipe perguntem internamente como determinado procedimento funciona antes de atender um cliente ou usuário.
Uma base de conhecimento bem iniciada ajuda a tornar essas respostas mais consistentes e fáceis de encontrar. O ponto de partida não é documentar tudo de uma vez: comece pelas dúvidas que mais interrompem o atendimento, escreva instruções testáveis e defina quem revisa cada conteúdo.
Neste artigo, você verá um caminho prático para organizar esse trabalho.
Comece pelas perguntas que se repetem
A primeira versão da base deve resolver problemas frequentes e relativamente simples. Isso permite que a equipe publique conteúdos úteis com mais rapidez, antes de avançar para procedimentos longos ou casos excepcionais.
Observe o histórico e os assuntos dos tickets, as categorias mais recorrentes, as mensagens de atendimento e as dúvidas levadas a reuniões internas. Procure também perguntas frequentes de clientes ou usuários, chamados que voltam por falta de orientação clara e dúvidas comuns durante onboarding ou mudanças de processo.
Vale olhar para o que os próprios técnicos perguntam entre si. Se a equipe precisa confirmar repetidamente quais dados coletar, como fazer uma verificação inicial ou quando escalar um caso, pode haver um conhecimento útil que ainda não foi registrado.
- Solicitações de acesso, senha ou permissões
- Orientações para usar um sistema ou recurso interno
- Dúvidas sobre abertura e acompanhamento de chamados
- Procedimentos básicos após troca de equipamento
- Problemas conhecidos com solução já definida
Diferencie os tipos de conhecimento
Em uma MSP ou operação de TI, nem todo conteúdo tem o mesmo público. Separar os contextos evita misturar orientações gerais com informações específicas ou restritas.
- Conteúdo para clientes ou usuários: como abrir um chamado, como solicitar acesso, quais informações enviar ao suporte e orientações simples de utilização.
- Conhecimento interno dos técnicos: verificações iniciais, procedimentos padronizados, informações que precisam ser coletadas, critérios de escalonamento e solução de problemas conhecidos.
- Informações específicas de um cliente ou ambiente: particularidades de infraestrutura, políticas próprias, fornecedores, procedimentos exclusivos e informações que não devem ser visíveis para outros clientes ou usuários.
Se uma orientação funciona para vários clientes ou usuários, ela pode fazer parte de uma base reutilizável. Se depende de ambiente, contrato, fornecedor, política ou configuração específica, deve permanecer associada ao contexto correto e com acesso adequado. Essa distinção é especialmente relevante para prestadores que atendem organizações diferentes.
Organize uma lista inicial de temas
Reúna os temas em uma lista simples antes de escrever os artigos. Para cada item, registre de onde veio a demanda, quem costuma responder e quais informações a pessoa precisa para executar a orientação.
| Tema recorrente | Público principal | Responsável pelo conteúdo |
|---|---|---|
| Como solicitar acesso | Usuários ou clientes | Pessoa ou equipe que administra acessos |
| Como registrar um chamado | Usuários ou clientes | Equipe de atendimento |
| Procedimento após perda de equipamento | Usuários ou clientes | Responsável pela política e pelo processo |
A tabela é apenas um exemplo hipotético de organização. Os temas e responsáveis devem refletir os processos reais da empresa e os acordos definidos com cada cliente, quando houver.
Escreva instruções que ajudem na execução
Uma resposta curta pode ser suficiente para esclarecer uma dúvida, mas uma instrução precisa orientar a próxima ação. Escreva para alguém que não participou da conversa anterior e pode estar consultando o material pelo celular, durante um atendimento.
Use um título que descreva a necessidade do leitor. Em seguida, explique quando o procedimento deve ser usado, quais informações ou acessos são necessários e quais passos devem ser seguidos.
- Descreva o objetivo do procedimento em uma frase.
- Informe pré-requisitos, como dados necessários, permissões ou canal de solicitação.
- Apresente as etapas na ordem em que devem ser feitas.
- Indique o resultado esperado ao final.
- Explique quando a pessoa deve acionar o suporte ou escalar o caso.
Para artigos destinados ao usuário ou cliente, priorize quando usar, as informações necessárias, os passos, o resultado esperado e quando procurar suporte. Em procedimentos internos dos técnicos, quando necessário, também podem aparecer pré-requisitos, evidências a coletar, verificações iniciais e critérios para escalonamento.
Use linguagem direta e mantenha o contexto
Evite depender de conhecimento implícito. Termos internos, siglas e nomes de processos devem ser explicados na primeira vez em que aparecem, principalmente se o conteúdo também for consultado por novos integrantes ou clientes.
Também vale separar orientações diferentes que costumam ser confundidas. Um conteúdo sobre solicitar acesso não deve tentar cobrir, ao mesmo tempo, recuperação de senha, alteração de perfil e bloqueio de usuário se cada situação seguir um fluxo próprio.
Garanta que o conteúdo possa ser encontrado
Criar o artigo não basta: técnicos, clientes e usuários precisam conseguir encontrá-lo no momento em que a dúvida surge. Um conteúdo bem escrito perde utilidade se estiver com um nome que ninguém associa ao problema real.
- Use títulos com os termos que técnicos, clientes ou usuários realmente procuram.
- Evite nomes internos pouco claros ou códigos isolados.
- Mantenha categorias simples e consistentes.
- Utilize terminologia compatível com a usada no atendimento.
- Quando a ferramenta permitir, relacione o conhecimento ao contexto do chamado, da categoria ou do processo.
Exemplo hipotético de estrutura para um artigo
Imagine que a equipe receba muitas dúvidas sobre como abrir um chamado. Um artigo inicial poderia seguir esta estrutura:
- Título: Como registrar uma solicitação de suporte
- Quando usar: quando houver necessidade de atendimento técnico ou acompanhamento de uma solicitação
- Antes de começar: tenha uma descrição do problema, impacto percebido e forma de contato
- Passos: informe os dados necessários no canal definido pela empresa e acompanhe as atualizações pelo mesmo registro
- Quando escalar: comunique o canal de urgência previsto pela operação se houver interrupção crítica ou risco imediato
Esse exemplo é hipotético. Os canais, campos obrigatórios, critérios de urgência e regras de escalonamento precisam ser adaptados aos processos efetivamente adotados pela organização. Um procedimento interno para técnicos pode ter estrutura diferente, incluindo verificações, evidências necessárias e critérios de escalonamento.
Defina responsáveis pela revisão
Uma base de conhecimento perde utilidade quando mantém procedimentos antigos. Por isso, cada artigo deve ter uma pessoa ou equipe responsável por confirmar se a orientação ainda está correta.
O responsável não precisa ser a única pessoa a escrever ou alterar o artigo. Sua função principal é garantir que exista alguém para validar se a orientação continua correta, aprovar alterações conforme o processo interno e indicar quando o conteúdo deve ser revisado ou retirado de uso.
- Defina um responsável por tema ou processo.
- Registre a data da última revisão.
- Revise o conteúdo quando houver mudança de ferramenta, política ou fluxo.
- Use comentários e dúvidas recebidas no atendimento para identificar lacunas.
- Retire ou sinalize instruções que não possam mais ser seguidas.
Crie uma rotina simples de melhoria
A manutenção não precisa começar com uma agenda complexa. Reserve um momento periódico para avaliar quais artigos foram mais consultados, quais dúvidas continuam chegando ao atendimento e quais orientações geraram confusão.
Também observe se a mesma dúvida continua gerando tickets, se técnicos ainda perguntam internamente como agir, se respostas diferentes são dadas para a mesma situação ou se certas etapas precisam ser explicadas novamente com frequência.
Quando uma pergunta recorrente não estiver coberta, registre-a como candidata a novo artigo. Quando o conteúdo existir, mas a dúvida continuar chegando, revise o título, os passos e a forma como a equipe encontra esse material.
Dê o próximo passo com uma lista curta
Para iniciar, escolha de três a cinco temas que realmente aparecem na operação, consomem atenção da equipe e possuem uma orientação relativamente estável. Nomeie responsáveis, valide internamente e publique uma primeira versão das instruções.
Em seguida, combine uma rotina de revisão e use o retorno do atendimento para decidir o que melhorar. O objetivo inicial é oferecer respostas confiáveis para situações repetidas, sem tentar transformar toda a operação em documentação de uma só vez.
Em uma plataforma de gestão de serviços, esse conhecimento pode fazer parte do próprio fluxo de atendimento. No MSP Desk, documentação e base de conhecimento podem apoiar a organização da operação junto de chamados, processos e históricos.
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